“Há restaurantes para pomposos banquetes em salão com espelhos de moldura dourada, e há pequenos restaurantes próprios para beber um pouquinho. Tudo o que quero é reunir dois ou três amigos íntimos e beber um pouco, em vez de ir aos banquetes de gente rica e importante. Mas o prazer que temos num pequeno restaurante, comendo, bebendo, conversando, fazendo
mútuas brincadeiras, derramando copos e salpicando as roupas com vinho é algo que os comensais de pomposos banquetes não compreendem e de que nunca podem ‘sentir falta’.”
YUTANG, Lin. A Importância de Compreender. 268p.
Apresentação
Por incrível que pareça este blog nada tem a ver com xícaras ou colheres, nem mesmo com café ou chá. Como na vida cotidiana, estes simples elementos, são apenas pretextos. Uma xícara de café nunca é apenas aquilo que parece ser. Sempre que nos convidam a “tomar um cafezinho” nunca é ao ato mecânico de despejar a bebida quente na xícara e sorvê-lo, existe muito mais envolvido neste hábito tão enraizado na cultura brasileira.
Mas, é sempre bom saber com quem se compartilha o café antes mesmo de que este revele o motivo do convite, por isso mesmo vou me apresentar. Eu sou apenas um estudante universitário e um ser “antropolouco”, ou seja, apaixonado pelo fenômeno a que se
dá o nome de HUMANIDADE, moro numa grande metrópole brasileira, e sou apaixonado por arte, música, cinema, comida (não digo gastronomia porque não me interessa tanto o preparar a comida, mas sim retirar todo o prazer possível de cada garfada), cultura oriental, sexo, montanhas e lagos artificiais com carpas. Também sou um apreciador de chá e café e de tudo que se relaciona a essas bebidas mágicas. Chá e café, assim como Oriente e Ocidente, são como meu Yin e Yang cotidiano. Estou sempre trilhando esses dois extremos, sempre sorvendo o máximo dos dois.
Bem, agora que o anfitrião foi apresentado, o motivo pode ser finalmente revelado.
½ xícara de café
Como já foi dito, tomar uma xícara de café é sempre o pretexto para algo que transcende o ato em si. Acaba de passar na televisão aquela propaganda de café em que a mulher diz algo como: “minha mãe sempre me ensinou que um bom jantar acaba com uma boa xícara de café, o que ela não me disse é que um ótimo jantar acaba com o café da manhã.”, ou seja, o café está, geralmente, relacionado ao prazer, seja de uma boa companhia, seja de uma ótima refeição, ou até mesmo de uma deliciosa noite de sexo. Existe, principalmente no Brasil, o hábito de encerrar-se uma refeição com uma xícara de café e, é exatamente nesse momento que as conversas mais doces, mais fluidas e animadas acontecem. Após as refeições nosso corpo parece relaxar subitamente e nossa mente experimenta uma sensação de contentamento feliz, sem o café relaxamos ao ponto de cochilar, esse cafezinho mantém nossa mente trabalhando, e possibilita diálogo. Também é comum, ao visitarmos uma pessoa, a fim de conversar algum assunto, esta nos oferecer um gole de café, é quase como se o anfitrião nos dissesse: “Sente e relaxe, tenho todo tempo do mundo e estou disposto a ouvi-lo”. Aí está o motivo do café no título do blog, pois, acima de tudo este é um espaço para o diálogo entre amigos, propondo assuntos que sejam agradáveis, assuntos que fariam parte de uma conversa pós-almoço, nada pesado, nada de discussão, algo sobre o qual possamos rir ou refletir quase distraidamente, um momento agradável. Note-se que não se oferece 1 xícara inteira de café, mas apenas ½ , pra que a sensação gostosa do ‘soninho’ da tarde permaneça. Assuntos para ficar exasperados, irritados, nervosos ou despertos são veiculados em qualquer página policial, ou nesses jornais que visam balançar nossas cabeças e arregalar nossos olhos para todo tipo de desgraça. Este é um espaço humano, onde assuntos como música, cultura, religião, arte, política, amor, sexo e etc. podem fluir espontaneamente, pacificamente e, pra que amigos se encontrem e dialoguem calmamente sorvendo seu delicioso café.
É comum pedir “uma colher de chá” quando se faz algo que não sai como o planejado, ou então algo que frustra as expectativas de outras pessoas. Vivemos em um período em que o tempo é mais raro, e mais caro, que o ouro. Não temos tempo nem para respirar, quanto mais para tentar compreender o modo de ver e agir do outro. As colheres de chá vão sumindo todos os dias e se tornando artigos de luxo. A vida, por inúmeros motivos, parece que resolveu me presentear com tempo de sobra, me tornando um homem rico em tempo, e, por isso mesmo, disposto a oferecer ½ xícara de café e não somente uma, mas duas colheres de chá inteiras!
Sendo assim, tendo me apresentado e explicado os motivos da existência deste espaço, convido-os a participar desses diálogos e espero que eles lhes dêem tanto prazer quanto darão, com certeza, a mim.



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