sexta-feira, 17 de abril de 2009

A cabana nas montanhas e a vida deliciosa



"Amo meu quiosque de bambu, que a água rodeia,
junto à escada de pedra e à gruta que se alteia.
É um pequeno lugar de estudo, quieto e umbroso,
tão confortável,
tão protegido,
tão delicioso!

Nem marmóreos salões, nem torres de marfim
valem mais do que esse calmo abrigo, para mim.
Viçoso e alegre, o prado em flor me cumprimenta,
quer tombe a chuva,
ou brilhe o sol,
ou na tormenta!

As janelas oculta a baixa ramaria;
pequenina lagora o olhar acaricia
e, à margem pedregosa, enquanto a sombra avança,
linda donzela,
a luazinha
e a brisa mansa.

Ah! como é bom levar calma e serena a vida!
Da varanda espiar os peixes em sua lida,
das flores e da lua aspirar o lazer:
buas palestras,
odor de incenso
e horas a ler...

Para o uso caseiro, um e outro velho traste;
água e montes já têm formosura que baste!
Se um hóspede chegar, sê perfeito em teu zelo;
ferve a chaleira,
prepare o chá
e vai sorvê-lo!

Varre o quintal, mas poupe as partes mais musgosas.
Como em pintura, deixa as pétalas de rosas
ataviarem de cor teus degraus. E ainda há mais:
uns damasqueiros.
alguns pinheiros
e bambusais!

Pereira e cerejeira a seu tempo dêem flores.
O Céu sabe o amanhã; para que dissabores?
Pode alguém predizer o destino de um dia?
Sê prudente;
vive contente,
com alegria!

Vindo o amigo por quem tens mais admiração,
Pede-lhe, numa alegre e casual sugestão,
que fique e a teus padrões de lazer se conforme.
E, FELIZ, BEBE;
BÊBADO, CANTA;
CANSADO, DORME.

Afasta o quieto lar da turba inconsequente;
trivialidades não te obscureçam a mente.
Vive alegre e feliz, sem falsas ilusões,
não tendo orgulho,
nem egoísmos
e inquietações.

Segue o que o Céu ordena e aguarda o que o Céu dá.
Só um puro coração tesouros conterá.
Teus LIVROS e o JARDIM em flor bastantes são
para dar paz,
contentamento
e diversão." Tung Chungfen

Que inveja de você, Tung!

"A cabana entre o monte e o lago azul, além.
Um dossel de pinheiro a cobrir o portão.
Cama rasa, um sofá, livros por todo o chão.
Dono desse jardim, Chen Meitsé rega-o bem.

Deixa os pés livres, nus; tira o manto e o chapéu.
Há um vinho capitoso e um cesto de pescar!
Ceio carpas e o leito amigo vou buscar
quando alguém chama e diz: 'Vê que lua no céu!'" Chen Chiju

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